Brasil-Europa em Fragmentos?
O livro "Brasil- Europa em Fragmentos?" foi escrito por Luc Vankrunkelsven e publicado em Abril de 2010 na Europa e no Brasil. Uma obra que apesar de ter sido escrita de uma forma simples e agradável, ilustrada por crianças com idades entre os 7 e 10 anos do Ensino de Matinhos do Brasil revela as ideias daquele que é chamado de "O senhor Soja". Um livro que é muito mais do que uma mera compilação de crónicas e que retrata de uma forma genial aquilo que é a desflorestação da Amazónia e a destruição do Cerrado através da monopolização de uma monocultura. Durante a leitura deste livro é visível que Luc é muito mais do que o " senhor soja" e que foi capaz de demonstrar através desta monopolização a devastação causada a nível social, económico e migratório no Brasil e no mundo. Milhares de pessoas foram obrigadas a deixar o meio rural e a emigrarem em massa para grandes centros urbanos, acabando por viver " esprimidas" em amontados de violência nas favelas: só em "2008 foram registadas 7800 mortos". Uma situação que viria mesmo a causar desigualdades de género, uma vez que o número de mulheres residentes nas cidades se tornou superior ao dos homens que vivem no meio rural.
Um livro que é um alerta e que nos faz reflectir sobre assuntos de cariz humanitário: " O Brasil é corrupto, violento e racista. Será? Ou será que as pessoas se amontoam imersas em violência nas favelas das cidades porque a vida no campo foi arrancada das suas mãos?" Outra reflexão deixa o leitor preplexo: o maior número de emigrantes provenientes do Brasil na Europa são precisamente das zonas mais afectadas pelas monoculturas: Minas Gerais e Goiania...a destruição da natureza passa a ser um fator determinante na migração transatlântica e nas consequências sociais a que passam a estar sujeitas milhões de seres humanos: " A Europa deveria pedir perdão ao mundo (...) por lei a perseguição e o castigo aos trabalhadores migrantes, que ali chegam expulsos pela fome e pelas guerras que os donos do mundo lhes impoêm."
Outra das ideias que ficam na mente do leitor é a ideia de desiquilíbrio e de impunidade à medida que vai relatando as suas histórias no Brasil e menciona por exemplo Blairo Maggi, o maior sojacultor do mundo que durante uma entrevista não teve qualquer pudor em dizer: "Se os movimentos ambientalistas e os sindicatos continuarem a criar problemas vou plantar soja na África. Aí não há resistência."
Para além da destruição da biodiversidade brasileira, migração de milhares de pessoas, o livro mostra ainda a realidade do trabalho escravo no Mato Grosso e o aumento da fome que grassa o mundo: " 900 milhões de pessoas passam fome, mesmo numa situação de super produção de alimentos" e continua: " paradoxalmente o maior número de pessoas que passam fome no mundo são os agricultores que vivem no meio rural."



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