
O livro Porto nos atalhos da história de Germano Silva publicado em 2009 desilude o leitor por vários motivos: a falta de referências bibliográficas para fundamentar as crónicas é uma constante, apesar do autor fazer referência a documentos históricos em nenhuma das páginas é possível encontrar uma nota com uma informação do género: IN:
MARQUES (HENRIQUE) - "As tiragens especiaes da obra de Camillo", in A Revista, Porto, 1903-1904. A ausência de contextualização histórica e topográfica dificulta a leitura, nenhuma das ilustrações tem também referência bibliográfica apropriada, o livro é um emaranhado de descrição, história mal fundamentada e muitos regionalismos linguísticos à mistura :"há quem asseve"(p.173)," ficavam do lado direito de quem vai para S.Domingos" (p.183)," que também já mudou de poiso" (p.185). Os regionalismos que podem ser o elemento castiço num texto, neste caso acabam por se constituir como um elemento de desinformação e de relativização do espaço. Existe ainda uma marca constante da fonética na escrita o que por vezes interrompe o seguimento do desenvolvimento de uma ideia sobre uma temática: " E é tempo de voltarmos ao mercador Afonso Martins, o Alho"(p.57). Quem esteja a seguir uma leitura atenta das crónicas pensará que este é o cortar de um raciocínio porque o escritor se" esqueceu" de falar previamente do personagem. A apresentação destes textos como crónicas para um leitor despreocupado e domigueiro que seja portuense é justificada,porque como habitante do Porto poderá já ter um conhecimento prévio dos lugares mencionados, mas para um leitor que não conheça ou não seja do Porto a leitura destas crónicas resultará numa ideia caótica e desafortunada sobre o que é o Porto.
Existem em várias páginas a referência a personagens históricas sem prévia contextualização. O leitor ficará a pensar: Quem afinal foi este" João Pita Bezerra"? (p.21). A imprecisão histórica e relativização da informação são uma contante: " partes da frontaria do Palácio para serem construídos noutro local, o que nunca aconteceu" (p.23) aqui fica no ar a pergunta: Que partes do Palácio e para onde iriam ser levadas?
Muitas vezes o leitor acabará por se conformar com a falta de documentação bibliográfica apropriada mas acabará por se frustrar também pela falta de ilustração: " o cerco do templo danificado pela artilharia dos miguelistas" (p. 116). Porque motivo não foi apresentada uma foto ou por exemplo um arquetipo do " magnífico Galeão de S. Pedro" para ilustrar a história do cronista? (p.122).
As sugestões temáticas do autor, as estórias em si são o único elemento positivo do livro como por exemplo a história "dos rapazes que vão às urtigas" (p.189) ou a descrição da figura típica do aguadeiro que mexe com a imaginação e a fantasia sobre como seria o Porto antigo e sério, cheio de enigmas e de recantos a ser descobertos.
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