A Pátria e os outros portugueses
A Pátria e os outros portugueses é um exelente livro de análise sobre a migração portuguesa de José Rebelo Coelho publicado pela Orfeu em 2011.
O livro surpreende positivamente pela exímia qualidade do material de investigação onde é possível inclusivé ler sobre factos menos conhecidos da emigração portuguesa como por exemplo a referência à comercialização do Pau-Brasil destinado à tinturaria por portugueses judeus residentes em Bruges no século XV (pag. 15).
O autor foi capaz de explicar como se processa de foma sociológica o desenvolvimento de projectos migratórios de milhares de portugueses, explicado quase década após década o porquê de sucessivas gerações de portugueses emigrarem. Outro dos aspectos positivos é sem dúvida o sentido crítico do autor onde abertamente explica o número dúbio de portugueses residentes no estrangeiro, e a referância ao facto de não existir o registo oficial de muitos portugueses e de muitas vezes o contexto circunstacial dificultar a análise:" Uma outra fonte de estatística pode ser o registo da população estrangeira nos países de acolhimento mas esta é pouco fiável. Isto porque nos países de residência os estangeiros com dupla nacionalidade são contabilizados como sendo nacionais do país onde residem." (pag.47).
José Rebelo de Sousa foi capaz inclusivé de apontar a confusão de conceitos e de definições que são usados para estudos estatísticos e afins: " Mas afinal o que é o empresário?" ( pag.50) onde o autor aponta para a necessidade de definições mais concretas. Devido a estas e outras lacunas o escritor fala sobre antigos projectos que tinham como objectivo ajudar ao estudo mais pormenorizado sobre a migração como por exemplo a criação de um museu sobre a Migração, projecto que nunca chegou a acontecer. (pag. 53).
O livro deixa também em aberto outras temáticas a serem exploradas como o estudar e entender o motivo porque os portugueses mantêm tão profunda fidelidade à pátria. (pag.56)
Existe ainda a referência ao facto dos emigrantes serem vistos como símbolo de atraso económico e financeiro e dos sucessivos governos apenas se mostrarem interessados nos emigrantes por causa do valor das remessas de capital transferidas por emigrantes para Portugal. " Nos anos 80, 11% do Pib proveniente de remessas estangeira (p.88) equanto a impresa escrita ou radiofónica portuguesa parecem subvalorizar a importância dos assusntos migratórios (pag. 74) e continuam a persistir em esterotipos que não correspodem mais à realidade social. A problemática da xenofobia entre os próprios portuguses residentes e emigrados também é abordada no livro abertamente. ( pag. 109).
É por este motivo que todas as perpectivas e análises feitas nos capítulos anteriores elucidam o leitor sobre a necessidade urgente da revisão do estatuto jurídico do cidadão português no estrangeiro (pag. 141) e sobre uma enorme necessidade de resolver o problema da apatia política (pag.149).
Outra das conclusões mais evidentes depois da leitura deste livro é sem dúvida a necessidade de passar a valorizar os portugueses do estrangeiro e de reconher estes cidadão como sendo não só portadores de recursos económicos, mas de igual forma de novos conhecimentos, novas experiências profissionais e novas formações tecnológicas. O autor desmistificou ainda a ideia de que os portugueses residentes no estrangeiro são cidadãos que carecem como qualquer outro cidadão residente em Portugal de apoio social, e explicou como por vezes é difícil a vida social dos emigrados mais antigos que sofrem muitas vezes com doênças, solidão, problemas familiares decorrentes do percusrso emigratório (212) . O autor desafia assim à criação de um sistema consular mais eficaz onde não seja só a componente burocrática o único elemento a desenvolver. Um livro, uma análise e um desafio...



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