A dimensão Cultural da Integração Europeia
Uma das ideias que fica é sem dúvida que a criação deste programa das capitais europeias resulta no facto de exisitir uma forte "tentativa de legitimação europeia" (pag 13) e que existe uma necessidade cada vez maior dos actores locais fazerem parte mais activamente desse tecido cada vez mais extenso e complexo da Europa.
É na" unidade que se promove a diversidade" serve de mote a um plano que está a ter frutos muito proveitosos para toda a europa, no sentido que é através desta partilha de culturalismo entre as cidades que se promove a tolerância, se confrontam diferenças e acima de tudo que se fomenta a paz. (pag.18).
A cultura é apresentada neste livro e segundo dados comprovativos como elemento dinamizador e sem dúvida maximizador de fluxos económicos. Um dos exemplos tão bem explicados pela autora foi o caso de Glaslow, uma cidade promovida a capital da cultura que foi capaz de ressuscitar entre os escombros de uma cidade pós fordista (pag.41). Contudo a autora não apontou somente os factores positivos como de igual modo ilustrou as vozes daqueles que tem uma visão mais insatisfatória sobre a dimensão cultural da Europa como é referido por exemplo por Helena Vaz Dias quando se interroga sobre o ainda pouco valor investido na cultura (0,1%) do Orçamento total da União Europeia.
No livro é possível encontrar dados precisos sobre o antes e o depois das cidades serem elevadas a capitais da cultura e sobre a forma como este evento afecta de forma impressionante a empregabilidade no sector cultural (pag.76), (ler também pag. 91 a 165 com explicação das evoluções das cidades).
As severas critícas dos que acreditam num estado de macrocefalia cultural também são mencionadas sendo que muitos acreditam ainda apesar dos efeitos positivos destes programas " que o consumo maçico de cultura gera novos mecanismos de exclusão e o alhear-se da produção e consumo locais" (pag 83).
Esta obra permite ainda vislumbrar outras consequências positivas e menos previstas por estes programas como foi visível no caso de S. Persburgo em 1996 em que a cultura acabou por se transformar num elemento de profissionalização permanente.
A outra dimensão da criação das capitais da cultura apontada foi o desejo crescente das cidades procurarem o " estandarte no mercado de turismo cultural para conquista de visitantes com nível de educação e poder de compra elevados" (175).
Existem momentos descritivos e bastante elucidativos sobre como o programa das capitais europeias da cultura interferiu no desenvolvimento de infra estruturas, na requalificação urbana e por último na revitalização desses espaços.
Foram mencionados também os casos menos satisfatórios da dinamização do património como por exemplo o ocorrido no Porto 2001 em que o "conceito original se revelou demasido ambicioso" ( pag188) e a mudança da aministração dificultou a utilização de 10 milhões de contos no plano de rejuvenescimento da cidade do Porto ( pag. 189/190 ler também entrevista com Teresa Lago pag.309).
Os casos positivos de reabilitação também foram devidamente descritos como por exemplo a reabilitação do piso terreo do Museu nacional de arqueologia que registou durante o programa de Lisboa o record de 153 mil entradas (pag.202).
A comunicação social também mereceu destaque sendo que foram avaliados os volumes de artigos criados pela imprensa escrita, peças radiofónicas e atenção mediática dada a cada uma das cidades que foram até agora capitais da cultura.
No útimo capítulo a escritora debruça-se sobre o programa que decorreu e ainda afecta Guimarães e sobre a importancia da vida social e histórica de cidades medievais que usam figuras icónicas como D. Afonso Henriques para capitalizar e dinamizar a cultura e a economia.
Por fim e de forma suscinta e brilhante lê-se a citação de Edgar Morin " A cultura europeia foi e será sempre essa pluralidade que é a vida, contra a uniformidade que é a morte" ( pag.247).


És muito generosa na tua análise, Paula. Muito obrigada. Fico feliz por teres tirado tanto proveito da obra.
ResponderEliminarUm abraço
Ruthia
Eu não fui generosa, senti foi o contrário que devia ter falado mais sobre o livro. Há muito tempo que não lia uma obra tão completa. Parabéns! Tens o dom da exelência.
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