Morto com defeito
O livro " Morto com Defeito" é uma história ficcional escrita por Vítor Pinto Basto de 2006 sobre um traficante de diamantes que supostamente explode duas bombas no Porto. O livro é também uma reflexão filosófica sobre o que é a vida e o que são as aparências sociais criadas pelos media e muitas vezes pelas pessoas que nos rodeiam.
Apesar da história estar imersa pelos recantos, memória cultural e geográfica do Porto, o livro apresenta também uma abertura à internacionalização cultural ao descrever por exemplo a fantástica obra de Purikev e de muitos outros pintores russos enquanto o autor narra o romance sexual entre Irina ( uma mulher eslava) e Carlos Palhal ( traficante de diamantes e filho de retornados).
Existem momentos de caricatura nacional onde são por exemplo narradas as Catarinas de Portugal que compram os livros não pelo conteúdo mas para poderem ter livros capazes de condizer com os cortinados e os móveis da sala (pag.15). Enquanto o autor fala sobre Catarina acaba também por mostrar como muitas vezes são tratadas as doênças psicológicas em Portugal e como muitas vezes por ignorância as pessoas acham que estes problemas são domínio paranormal ou sobrenatural: " ouviu falar dos poderes miraculosos das sanguessugas de Fariza e tinha para si uma estranha convicção que a bruxa acabaria por soluccionar o problema de Catarina. (pag.19)"
Durante a leitura do livro são abordados de forma inerente outros temas como por exemplo o acesso seguro a fontes externas pelos jornalistas ou a forma como são muitas vezes publicadas notícias sem fontes fundamentadas para se poderem escrever notícias capazes de vender: " Juntou as notícias que falavam sobre a explosão e ficou com a sensação que se está bem assim. Guardado pela ignorância dos jornalistas e das suas fontes. Mas ficou aborrecido por o terem relacionado com a droga e uma suposta amante."(pag.26). " Um jornal que não deite sangue depois de ter sido dobrado e amassado só serve para embrulhar peixe na lota" (pag.33).
O mesmo livro ilustra a dimensão humana de criminosos e inocentes uma vez que é possivel através das descrições da morte do filho do criminoso entender a profunda dor de perda que sentiu quando morreu o seu filho: " O meu menino é dóiro é d`doiro o meu menino", o mesmo amor pela filha sente o jornalista Brum
para a qual não tem tanto tempo quanto gostaria. " Tem sonhos de mil cores princesa" (pag.31).
O aspecto mais positivo é sem dúvida o sentido fantástico e imaginático do escritor, isto porque foi capaz de mostrar de forma cómica tantas das realidades dificeis de ilustrar: " era natural as empresas refrescarem os seus quadros, muitas vezes com o sofisticado método da filha-da-putice" (pag.37). Existe por isso uma alternância de uma linguagem filosófica com outra mais jocosa " A gaja deve tormar banho em chanel n°5.Tenho a roupa a cheirar ao perfume da comegaitas." (pag.110).
E enquanto se descobre quem é o criminoso que afinal nunca esteve morto lêem-se os episódios cómicos do quatidiano de cada um, por entre uma ou outra página onde se ilustram as intolerâncias regionais e linguisticas e outras peripécias : " Estamos quites porque eu também não gosto da pronúncia do Porto. Tem muito " uom", muito "pom" "muito "juom" muito salpicom". (pag.113).


Boa análise, Paula. É sempre saudável um pouco de humor. Para mim, são os "oms" que dão graça ao sotaque do Porto....
ResponderEliminarBeijinho e que tal a Páscoa longe de casa?
Ruthia
A Páscoa foi boa, comi muito chocolate. Espero que tenha sido boa também para ti e para a tua família.
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