Indignez-vous!


Mais do que um livro é sem dúvida uma mensagem às massas. Foi escrito por Sthephane Hassel, um diplomata de 94 anos que faleceu este ano em Fevereiro. Um livro que inspirou milhões e que viria dar origem ao conhecido movimento dos Indignados. Mais do que um livro, uma mensagem, o livro é um testemunho de mais de 66 anos de resistência como explica o escritor.
    Sthépanhe Hassel fala dessa resistência. Mostra sem pudores as novas formas de monopolização que resultam do fruto do trabalho comum em que as fontes de energia são exploradas: a electricidade, o gaz, e onde tudo caba por ser nacionalido pelos bancos(pag.5).
Hassel refelete sobre a constante evidencia que se tem sobreposto na sociedade: o interesse geral ao individual, aniquilidado assim o desenvolvimento criativo e crítico das novas gerações (Pag.4).
   Mas a ideia matriz da obra é sem dúvida dizer " indignai-vos!" como resposta aos abusos do poder e do do dinheiro. Apela assim à indignação geral assim como também ele se indignou quando era jovem contra o nazismo: " Quand quelque choose qui vous indigne comme J`ai eté indigné par le nazisme alors on devient militant, fort et engagé." O escritor propõe uma gestão racional da economia, que assegura a subordinação de interesses particulares aos interesses gerais e da instauração da ditadura profissional à imagem dos estados fascistas (pag.4). O autor não teve qualquer pudor em mostrar como muitos dos direitos considerados como naturais e apresentados no passado como o da liberdade de imprensa parecem estar distorcidos e esclarece que imprensa livre deveria significar livre da influência do estado, dos grandes investimentos capitais e da influência estrangeira e pergunta-se que lugares devem agora ocupar estes direitos nas sociedades modernas. (pag.4)
  Um dos parágrafos mais interessantes é aquele onde são mencionadas todas aquelas as crianças que tiveram acesso a instrução depois de 2008 e como essas crianças que receberam a herança de uma reforma replublicana vão ver agora os seus salários amputados. O autor revela assim os indignados desobedientes " Ils se sont indignés, ont desobei,  ont jugé ces reformes éloignées de l`ídeal de la école républicaine, trop du service dún sociéte de l`árgente qui ne ne developpant plus assez l`espirit créative et critique."
  O autor mostra que mais do que nunca nunca foi tão evidente a diferença entre ricos e pobres, onde os bancos privatizados mostram publicamente os seus dividendos, os altos salários dos seus dirigentes e acima de tudo a competição de ricos e pobres onde por causa do dinheiro a competição é encorajada.
  O escritor mostra como a convivência entre ricos e pobres conceito criado no seculo XX e XXI se torna cada vez mais uma afronta, onde ricos e pobres estão em contacto, conhecem-se, vêem a mesma publicidade de vários produtos e que os ricos podem usufruir desses bens como algo natural enquanto que outros podem apenas sonhar (pag.8). " ils se connnaissent, ils voiant la même publicité pour toutes sorts de biens, de plaisirs que les premiéres ne peuvant pas sóffrir et qui par les autres considerant comme parfaitement naturels" pag (8).
   De uma forma surpreendetemente directa e depois de fazer um pequeno resumo sobre os valores e direitos humanos aprovados pela ONU pergunta aos leitores o que pensam sobre o tratamento que é dado aos imigrantes, aos sem papéis, aos ciganos e assegura que todos os dias somos confrontados com essas situações : "Vous trouvez des situations concrétes qui vous amenenent à donner cours à une action forte. Cherchez et vous trouvez!"
  O escritor teve ainda a coragem de mencionar nestas 32 páginas outro tema muito delicado ao referir que ficou também indignado com a situação vivida na faixa de Gaza (pag.12) onde em 1948 mais de 150 mil pessoas foram arrancadas da sua terra entre 1949 e 1968 por Israel. Fala de Gaza como uma prisão a céu aberto para milhão e meio de palestenianos que resultou na morte de mais de 400 mil pessoas e diz que para os judeus deve ser insuportavel saber que também eles cometeram crimes de guerra: "Que des Juifs perpeter eux-memes des crimes de guerre c´est insupportable" (pag. 12).
  Por último o autor diz também que é solidário com os judeus de Gaza, porque também ele sabe o que é ser judeu uma vez que o seu pai era judeu e que o amor que tinha por Israel era tão forte como para todos os outros judeus.
  Não deixa de ser surpreendente a forma absolutamente brilhante e conscisa onde explica que sempre foi grande admirador de Satre simplesmente por este ter a ousadia de não só responsabilizar os indivíduos pelos seus actos sem a interferência do estado ou de  Deus e por este sugerir o estudo  sério das insurreições e das revoltas humanas...o entender porque motivo tem o homem a necessidade de se revoltar.
  As últimas páginas são dedicadas à necessidade cada vez mais crescente de adoptar políticas de não violência como as ensinadas por Gandhi, Mandela e Martin Luther King num mundo onde os conflitos interculturais se tornam mais complexos e onde é preciso ter o sentido de uma vigilância permanente.









Comentários

  1. Já não há muitos militantes nos dias de hoje. Pelo menos em Portugal, onde os crescentes sacrifícios são "uma chatice" e tal, mas não passam disso.
    Não concordo com todas as ideias desse senhor (sobretudo as de cariz económico) mas faço uma reverência ao seu fervor. Porque é preciso lutar por ideais.
    Abraço
    Ruthia

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    1. Foi a propósito dessa luta que achei que deveria ter escrito sobre o livro. Este homem de 94 anos vendeu 4 milhões de exemplares e entrou na cultura BD (Black et Mortimer). Não pode deixar de notar foi que assim como referiu na obra as vezes essas lutas não acontecem não só pela chatice mas como pelo medo. Tirei algumas fotos dos indignados quando estiveram em Bruxelas e um jovem indignado que pintava um banco com spray ficou aterrorizado quando viu que estava a tirar fotos. Perguntei a mim própria: será que devo revelar as fotos como forma de expressão de revolta ou guardá-las talvez porque esse jovem seria só e apenas um anarquista? Toda a moeda tem duas faces..

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