Este livro escrito por José Gonçalves é uma reflexão filosófica, política e espacial onde o mar desempenha um papel fundamental.

A obra foi escrita numa linguagem complexa, paradoxal " cada poro da sua criatividade e molécula de humanidade que jamais tentara encarcerar em si"(p.14) ou expressões como " a ligação entre todos os corpos constituintes da declaração e que possível torna a sua declaração." ( pag.129) obrigam o leitor a pensar a linguagem.

  Existem marcas auto-biográficas do escritor na obra, não só porque o escritor experienciou uma vida de marinheiro mas também pelas reflexões políticas. " Soltam-se as amarras", na verdade o livro está repleto de referências aos diferentes espaços do mar, o espaco das partidas e das chegadas e o espaço das reflexões feitas ao observar o mar " a dor da ausência nunca se divorcia de nós" (pag.29).

O capítulo um, foca-se muito nesse espaço do mar: " O mar continua a ser o melhor chão que tive, o mar como espelho lunar. O mar como espelho de si mesmo da alma, dos sentidos, da procura de uma rota em terra." E continua..." O mar ofereceu-me uma nova família ( pag.50)

As ideias auto-biograficas e políticas do escritor misturam-se ao longo dos capítulos com a percepção do mar: " a persuação oriunda da acção discursiva de muitos agentes políticos é de tal forma cativante, mesmo que adornados de discursos ocos, facilmente detectáveis como não praticáveis, que as pessoas entregam a estafeta da sua existência, depositando neles  a gestão dos seus indíces de sobrevivência.  (pag.67).

Este não é um livro fácil de se ler, é um livro que exige muita reflexão ao leitor e um livro que obriga o leitor a ser capaz de imaginar e projetar o mar físico com todas as suas outras dimensões: emocional, psicológica, reflexiva ou de simples constatação da realidade.

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